Este projecto veio a propósito do processo pelo qual os cd's estão a atravessar: o de se tornarem obsoletos. Na verdade isto pode-se dizer respeito a práticamente qualquer suporte de som, que não seja o prático e fácilmente adquirível mp3. Então, o que foi proposto foi, a partir de uma música ou de uma sonoridade qualquer, criar uma embalagem que realmente convença, estéticamente, o consumidor a adquirir a original e não através da copia ou do download. Quase como criar uma mistura entre a percepção visual e a percepção sonora, uma sinestesia.
O som que escolhi para trabalhar era do compositor norte-americano Steve Reich, uma faixa do
álbum Different Trains - Electric Counterpoints. E ao analisar esta sonoridade, em termos de
encontrar um conceito-base para poder desenvolver, registei uma “intensidade pacífica”, uma
continuidade, fluídez, embora nervosa, apressada. E associei estas características a um conceito de memória, como sendo igualmente algo contínuo, intenso, frustrante por vezes, um rol de ideias e de imagens que subtilmente se vão acumulando numa caixa ou noutro recipiente qualquer.
Este projecto quase que poderia ser a simulação de uma película (aliás, o próprio suporte sonoro
utilizado foi precisamente a cassete áudio). Os processos analógicos acabam também por se assemelhar mais ao ser humano do que os digitais, e a memória da qual eu falo não é a digital, mas sim a humana. A fita, ou película, é uma metáfora para a abundância e envolvência da memória humana, como algo que à medida que vai gravando, vai “enrolando”, arquivando.
Escolhi o papel de engenharia para revestir o produto e para simular essa “película” porque é um
material fino, delicado e, principalmente, translúcido. A memória também pode ser, num sentido poético, translúcida.
Trabalhei com imagens que de certo modo me fizessem lembrar o tempo. A textura rugosa de uma árvore, como uma gravação natural ou uma marca da idade, uma folha como uma partícula que nasce, cresce, enfraquece, cai, murcha e mistura-se com a terra e a roda de uma bicicleta, associada ao seu movimento de rotatividade.
Utilizei uma espécie de código simplificador de linhas grossas, aludindo a alguma ideia de frequência, de sintonização de uma memória, de um sentido ou de um som.
álbum Different Trains - Electric Counterpoints. E ao analisar esta sonoridade, em termos de
encontrar um conceito-base para poder desenvolver, registei uma “intensidade pacífica”, uma
continuidade, fluídez, embora nervosa, apressada. E associei estas características a um conceito de memória, como sendo igualmente algo contínuo, intenso, frustrante por vezes, um rol de ideias e de imagens que subtilmente se vão acumulando numa caixa ou noutro recipiente qualquer.
Este projecto quase que poderia ser a simulação de uma película (aliás, o próprio suporte sonoro
utilizado foi precisamente a cassete áudio). Os processos analógicos acabam também por se assemelhar mais ao ser humano do que os digitais, e a memória da qual eu falo não é a digital, mas sim a humana. A fita, ou película, é uma metáfora para a abundância e envolvência da memória humana, como algo que à medida que vai gravando, vai “enrolando”, arquivando.
Escolhi o papel de engenharia para revestir o produto e para simular essa “película” porque é um
material fino, delicado e, principalmente, translúcido. A memória também pode ser, num sentido poético, translúcida.
Trabalhei com imagens que de certo modo me fizessem lembrar o tempo. A textura rugosa de uma árvore, como uma gravação natural ou uma marca da idade, uma folha como uma partícula que nasce, cresce, enfraquece, cai, murcha e mistura-se com a terra e a roda de uma bicicleta, associada ao seu movimento de rotatividade.
Utilizei uma espécie de código simplificador de linhas grossas, aludindo a alguma ideia de frequência, de sintonização de uma memória, de um sentido ou de um som.



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